segunda-feira, 23 de março de 2015

História do vinho no Brasil, desde 1532

CAPA_HISTORIA_VINHO_BRASIL

A história do vinho no Brasil começou muito cedo, 32 anos depois de seu descobrimento pelos portugueses. Destacamos com imagens e legendas, os principais acontecimentos em torno da bebida em terras canarinhas, desde a chegada de Martim Afonso de Souza com as primeiras videiras, até as últimas décadas com a conquista da Indicação de Procedência no Vale dos Vinhedos.

Brasil_1532
1532
As primeiras videiras são trazidas ao Brasil por Martim Afonso de Souza. As mudas de Vitis vinifera são plantadas na Capitania de São Vicente, no sudeste do país, mas as condições desfavoráveis de clima e solo impedem que a experiência siga adiante.
Brasil_1551
1551
Membro da expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, o jovem Brás Cubas insiste no cultivo de videiras, transferindo suas plantações do litoral para o Planalto Atlântico. Em 1551, ele consegue elaborar o primeiro vinho brasileiro. Sua iniciativa, contudo, não é duradoura.
Brasil_1626
1626
A chegada dos jesuítas à região das Missões impulsiona a vitivinicultura no sul do Brasil. A introdução de videiras no Rio Grande do Sul é creditada ao Padre Roque Gonzales de Santa Cruz, que conta com a ajuda de índios na elaboração de vinho, elemento das celebrações religiosas.
Brasil_1640
1640
É realizada a primeira degustação orientada no Brasil, relatada na 1ª Ata da Câmera de São Paulo. A intenção é padronizar os vinhos comercializados no país. A ação é voltada principalmente aos produtores do Sudeste, que persistem no cultivo de uvas em locais inadequados.
Brasil_1732
1732
Imigrantes portugueses, principalmente os açorianos, passam a povoar a zona litorânea do Rio Grande do Sul, formando colônias em Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. Eles trazem mudas das ilhas dos Açores e da Madeira, mas as plantações não ganham expressão.
Brasil_1789
1789
Percebendo a multiplicação das iniciativas em torno da vinicultura no Brasil, a corte portuguesa proíbe o cultivo de uva no país como forma de proteger sua própria produção. A medida inibe a comercialização da bebida na colônia e restringe a atividade ao ambiente doméstico.
Brasil_1808
1808
No ano da transferência da coroa portuguesa para o Brasil, com a vinda da família real, não só é derrubada a proibição ao cultivo da uva como ganham corpo os hábitos em torno do vinho. A bebida é incorporada a refeições, reuniões sociais e às numerosas festividades religiosas.
Brasil_1817
1817
O pioneirismo gaúcho na vinicultura se materializa na figura de Manoel Macedo, produtor da cidade de Rio Pardo. Em um período que se estende até 1835, ele registra a elaboração de até 45 pipas em um ano, o que lhe rende a primeira carta-patente para a produção da bebida no país.
Brasil_1824
1824
O início da colonização alemã amplia o número de imigrantes interessados em vinho. Na mesma época, o italiano João Batista Orsi se estabelece na Serra Gaúcha e, com a concessão de Dom Pedro I para o cultivo de uvas europeias, torna-se um dos precursores do ramo na região.
Brasil_1840
1840
Pelas mãos do inglês Thomas Messiter, são introduzidas no Rio Grande do Sul uvas Vitis lambrusca e Vitis bourquina, de origem americana. Mais resistentes a doenças, foram plantadas na Ilha dos Marinheiros, na Lagoa dos Patos, mas logo se espalharam pelo Estado.
Brasil_1860
1860
A uva Isabel, uma das variedades americanas introduzidas no Rio Grande do Sul, ganha rapidamente a simpatia dos agricultores. Há registros de que, por volta de 1860, ela já formava vinhedos nas cidades de Pelotas, Viamão, Gravataí, Montenegro e municípios do Vale dos Sinos.
Brasil_1875
1875
O grande salto na produção nacional de vinhos ocorre com a chegada dos imigrantes italianos. Trazendo de sua terra natal o conhecimento técnico de elaboração e a cultura do consumo, eles elevam a qualidade da bebida e conferem importância econômica à atividade.
Brasil_1881
1881
Ano do mais antigo registro de elaboração do vinho no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, com o apontamento de 500 mil litros produzidos na cidade de Garibaldi. O número consta em relatório feito em 1883 pelo cônsul da Itália, Enrico Perrod, depois de visita à região.
Brasil_1928
1928
Frente à concorrência desordenada, a oscilação da qualidade e o crescimento da importância da atividade, é criado o Sindicato do Vinho, uma tentativa de organizar o setor. A iniciativa é articulada por Oswaldo Aranha, então secretário estadual do governador Getúlio Vargas.
Brasil_1929
1929
O associativismo é adotado pelos agricultores. Em um período de 10 anos, 26 cooperativas são fundadas, entre elas algumas que seguem atuando até hoje. O modelo dá competitividade aos pequenos produtores e os direciona a uma situação de equilíbrio, alcançado na década seguinte.
Brasil_1951
1951
A transferência da vinícola Georges Aubert da França para o Brasil marca o início de um ciclo. O interesse de empresas estrangeiras no país, que se consolidaria na década de 70, aportou novas técnicas nos vinhedos e nas cantinas, além de ampliar as áreas de cultivo da uva.
Brasil_1990
1990
A melhoria das vinícolas, que ao longo da década de 80 foi marcada pela reconversão de vinhedos, ganha impulso a partir da abertura econômica do Brasil. O acesso a diferentes estilos de vinhos e a concorrência com os importados levam os produtores a aumentar a qualidade.
Brasil_2002
2002
Com a vitivinicultura consolidada em diferentes regiões, do Sul ao Nordeste do país, cada zona produtiva investe no desenvolvimento de uma identidade própria. O pioneiro neste rumo é o Vale dos Vinhedos, que conquista a Indicação de Procedência em 2002.

Fonte: Ibravin

sábado, 14 de março de 2015

VINHO NO CINEMA

CAMINHANDO NAS NUVENS (1995)



(A Walk in the Clouds)
 

Um dos melhores filmes, vinho e paixão
Dirigido por Alfonso Arau.
Elenco: Keanu Reeves, Anthony Quinn, Aitana Sánchez-Gijón, Giancarlo Giannini, Angélica Aragón, Evangelina Elizondo, Freddy Rodríguez, Debra Messing, Febronio Covarrubias, Roberto Huerta, Juan Jiménez, Alejandra Flores e Gema Sandoval.
Roteiro: Mark Miller, Robert Mark Kamen e Harvey Weitzman, baseado em roteiro de Piero Tellini, Cesare Zavattini e Vittorio de Benedetti.
Produção: Gil Netter, David Zucker e Jerry Zucker.


[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].




     Para curtir “Caminhando nas Nuvens” em sua plenitude é imprescindível que o espectador se desarme e embarque no espírito romântico do filme. Apresentando alguns clichês típicos do gênero, atuações irregulares e uma narrativa até certo ponto previsível, o longa dirigido por Alfonso Arau se salva por sua beleza estonteante e por sua atmosfera pura e ingênua. Mas, apesar de seus momentos agradáveis, está longe de ser um grande filme.
Após voltar da 2ª guerra mundial, o jovem Paul Sutton (Keanu Reeves) descobre que não tem afinidade com a esposa e decide viajar até a empresa onde trabalha como vendedor de chocolates, numa tentativa de mudar de vida. No caminho, ele conhece Victoria Aragón (Aitana Sánchez-Gijón), uma bela jovem que está voltando pra casa grávida após estudar em outra cidade. Temendo a reação de seu pai (Giancarlo Giannini), ela convence Paul a fingir ser seu marido e passar uma noite nos vinhedos da família.
Escrito por Mark Miller, Robert Mark Kamen e Harvey Weitzman, baseado em roteiro de Piero Tellini, Cesare Zavattini e Vittorio de Benedetti para o filme “O Coração Manda” (Quatro Passi fra le Nuvole, 1942), o roteiro de “Caminhando nas Nuvens” não foge de alguns clichês básicos dos romances, como a dificuldade imposta ao casal antes do final feliz, o pai ignorante e opressor e a mãe (Angélica Aragón) que compreende o drama da filha. Incomoda também o fato de uma família tradicional mexicana falar tanto em inglês, ainda que em alguns momentos o espanhol surja. Além disso, algumas discussões soam bastante artificiais, como no primeiro jantar em que Paul se retira da mesa. Pra piorar, confesso que imaginei com certa facilidade o que aconteceria quando ele deixa o vinhedo e volta pra casa, anulando o efeito dramático da cena. Ainda assim, a história consegue agradar, especialmente pela forma como Paul e Victoria desenvolvem sua relação, mas também pelos belos momentos vividos por Paul e o avô dela, Don Pedro Aragón (Anthony Quinn).



Ainda no início, uma elegante transição do preto e branco para o colorido (montagem de Don Zimmerman) nos leva aos tempos da segunda guerra mundial, onde um diálogo expositivo explica que Paul está retornando da guerra para reencontrar a esposa Betty (Debra Messing), que mal conhecia (ele se casou num dia e viajou no outro), e o plano plongèe dele perdido no porto já indica que aquele não era exatamente seu lugar. Em casa, sua consumista esposa parece apenas preocupada em encontrar novas maneiras de ganhar mais dinheiro e o convence a continuar vendendo chocolates. Por isso, ele decide partir. E será nesta viagem que Paul mudará sua vida para sempre. Num encontro casual no trem, ele troca olhares com Victoria, mas o momento romântico é interrompido de maneira nada higiênica. Neste mesmo dia, seus caminhos voltariam a se cruzar, desta vez de maneira definitiva.



    Um ator que funciona melhor em filmes de ação, Keanu Reeves vive Paul com a costumeira inexpressividade, mal reagindo às agressões verbais de Alberto, o relutante pai da garota (repare, por exemplo, sua apatia na discussão nos tonéis, que se torna ainda mais evidente graças aos exageros de Giannini). Ainda assim, o ator consegue criar empatia com Aitana Sánchez-Gijón, o que salva parte de sua atuação. Por outro lado, Aitana está simpática e sensual como Victoria Aragón, deixando claro desde o início que deseja ficar com Paul através do olhar insinuante e falhando apenas em alguns momentos dramáticos, onde não transmite emoção de maneira convincente, como quando se revolta com uma proposta dele. Já Giancarlo Giannini tem uma atuação exagerada e caricata na pele do unidimensional Alberto Aragón, que, de maneira irritante, parece sempre disposto a brigar com Paul, mesmo depois que descobre as boas intenções do rapaz. Por sua vez, Angélica Aragón se sai bem com a mãe de Victoria, demonstrando paciência para lidar com os conflitos entre pai e filha.



     Certamente a melhor atuação do longa, Anthony Quinn está ótimo como Don Pedro Aragón, sempre convencendo Paul a ficar com eles de maneira carismática. Don Pedro é o alicerce de uma família tradicional, agora comandada pelo filho, mas ainda sob seu olhar atento. Logo em sua primeira aparição, fica claro o respeito que todos têm por ele, quando é convocado para dar a palavra final sobre a permanência de Paul. Órfão e ex-combatente, Paul é uma pessoa carente, e Don Pedro logo se encarrega de acolher o rapaz da melhor maneira possível. Esta relação quase paternal é uma das melhores coisas de “Caminhando nas Nuvens”, muito por causa de Quinn.



    Mas se erra na direção de atores e não consegue extrair o melhor de todo o elenco, Alfonso Arau acerta na criação de lindos planos e na condução de cenas de grande impacto visual. Auxiliado pela belíssima fotografia de Emmanuel Lubezki, que abusa de cores quentes e realça a beleza dos vinhedos, o diretor nos brinda com planos que mais parecem quadros, com a vinícola surgindo banhada pelos raios solares, conferindo à “Las Nubes” um ar celestial, reforçado pelo próprio nome do local. Outro momento que remete a natureza paradisíaca do lugar acontece quando a geada atinge as uvas e as pessoas se vestem com asas para espalhar o calor pela plantação, tornando-se parecidas com anjos. Finalmente, na volta de Paul ao vinhedo, o esperado reencontro com Victoria é interrompido pela revolta de Alberto, que acidentalmente provoca um incêndio de enormes proporções, permitindo ao diretor criar uma interessante rima visual e temática, com a vinícola, agora em chamas, remetendo ao inferno.


    “Caminhando nas Nuvens” homenageia ainda a cultura das vinícolas e a tradição familiar, na bela seqüência da colheita e na divertida dança das mulheres, que pisam nas uvas. Após este momento eufórico, surge o primeiro beijo de Paul e Victoria, mas a reação “racional” dele tira toda a magia da cena. Magia que volta no momento mais romântico da narrativa, quando ele faz uma serenata pra ela. Desta vez, nem a inexpressividade de Reeves estraga a beleza da cena, com Victoria espiando da janela, a noite iluminada e a tradicional canção. Aliás, a bela trilha sonora de Maurice Jarre merece destaque justamente por misturar acordes clássicos com sons que remetem às músicas mexicanas.



     Apesar de todos os escorregões, “Caminhando nas Nuvens” termina com um final feliz e uma mensagem que glorifica a família e o amor, o que, compreensivelmente, agrada ao espectador. Ainda assim, não podemos fechar os olhos para as falhas de uma narrativa que, com pequenos ajustes, poderia ser bem melhor. Por outro lado, sua beleza e a inocência de sua mensagem conferem uma aura singular ao filme. É raro falar de amor com tanta pureza hoje em dia.


Jornalista Lúcio mauro nunes pereira MTB-0078741/Sp
Escreve semanalmente e edita a revista Adega Brasileira

15 filmes para quem ama vinhos

Fizemos uma lista para você apreciar o cinema sem moderação

POR RENNAN A. JULIO I EDIÇÃO: VINICIUS GALERA DE ARRUDA
listas_cultura_filmes_vinhos (Foto: Reprodução)
Depois de reunir 9 filmes sobre o campo para assistir nas férias, a Globo Rural decidiu agrupar alguns longa-metragens que elegeram o vinho e as vinícolas como pano de fundo para contar suas histórias. Nesta lista, as obras mostram que ficção e realidade podem casar tão bem quanto uma taça de vinho com fundue de queijos no inverno.
Aprecie sem moderação!
1 - O Rato Que Ruge (EUA, 1959). Direção: Jack Arnold

Em um fictício “menor país do mundo”, localizado entre a França e a Suíça, a única fonte de renda existente é a exportação de um famoso vinho para os Estados Unidos. No entanto, uma falsificação feita na Califórnia faz com que o país pare de importar o produto. Pensando em uma resposta, o primeiro-ministro declara guerra aos EUA (esperando alguma ajuda depois da inevitável derrota), mas o problema é que eles "vencem" a guerra e vão ter de enfrentar as consequências.
2 - O Vale das Paixões (EUA, 1959). Direção: Henry King

Na década de 1930, uma jovem sai da Inglaterra com destino à Califórnia para ajudar os seus tios, produtores de vinho que mantiveram seus lucros mesmo nos anos de seca. Mas o que a garota não imagina é que o objetivo da família é arranjar um casamento dela com um herdeiro de outra vinícola e assim unir as terras.
3 - O Segredo de Santa Vitória (EUA, 1969). Direção: Stanley Kramer
Nesse clássico de Stanley Kramer, um vilarejo que produz vinhos recebe a difícil missão de esconder as garrafas italianas dos alemães nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
listas_cultura_filmes_vinhos (Foto: Reprodução)
4 - O Ano do Cometa (EUA, 1992). Direção: Peter Yates
Quando Margaret Harwood vai à Escócia para catalogar os vinhos do seu pai, ela encontra uma raríssima garrafa de vinho, produzida no ano da passagem do cometa Halley, em 1811. Depois disso, ela terá que fugir de um grupo de mercenários que estão atrás da garrafa. 
5 – Caminhando nas Nuvens (EUA, 1995). Direção: Alfonso Arau

Keanu Reeves interpreta um jovem soldado da Segunda Guerra que se oferece para passar por marido de uma jovem grávida, assim contendo a ira do pai – um vinicultor do interior dos Estados Unidos.
6 – Conto de Outono (FRANÇA, 1998). Direção: Eric Rohmer

Viúva, Magali se dedicou à produção de vinhos desde então – quando seus filhos também foram embora. Mas agora a personagem de Marie Rivière vai cair nas graças da missão de sua melhor amiga: achar um novo marido para ela.
7 – Horizonte Sem Limites (EUA, 1998). Direção: John Huddles
Rossu planeja vender a coleção de vinhos de sua família com o objetivo de adquirir uma propriedade rica em minérios. Mas o jovem encontra seu tio Cullen, um homem com planos muito mais bizarros para o tesouro da família.
8 - Mondovino (FRANÇA/ITÁLIA/ARGENTINA/EUA, 2004). Direção: Jonathan Nossiter

Nesse documentário, Jonathan Nossiter decide investigar a globalização de uma forma diferente: utilizando o vinho como pano de fundo da sua pesquisa. No filme, ele narra a “guerra” entre as famílias produtoras – como na Califórnia e Borgonha. Muito conceituado mundo afora, o filme dá um novo olhar para o mundo dos vinhos.
listas_cultura_filmes_vinhos (Foto: Reprodução)
9 - Sideways – Entre Umas e Outras (EUA, 2004) . Direção: Alexander Payne
Presente na já citada lista de filmes sobre o mundo rural, Sideways não poderia ficar de fora dessa. Considerado um dos filmes de vinhos mais marcantes, o longa conta a história de dois amigos que descobrem no vinho e em suas próprias companhias uma forma de aproveitar e refletir um pouco mais sobre a vida.

Fato curioso: o filme ajudou a Pinot Noir a se transformar em um dos vinhos mais vendidos dos Estados Unidos.
10 - Um Bom Ano (EUA, 2006) . Direção: Ridley Scott

Também presente na lista prévia, o longa de Ridley Scott é outro indispensável quando pensamos na relação da bebida com o cinema. Russell Crowe é um acionista londrino que se vê obrigado a voltar para a França – onde passou a infância em um lindo chateau ao lado de seu tio. No filme, uma taça de vinho é capaz de mudar vidas.
11 - Entre Vinhos e Amores (EUA, 2007). Direção: Allison R. Hebble

Nesse interessante romance, três histórias entrelaçadas mostram como amor, alegria e questionamentos complexos como o que toca à infidelidade podem ser encontrados em uma cozinha. E, claro, uma taça de vinho para acompanhar a sequência de todos os personagens.
12 - O Julgamento de Paris (EUA, 2008). Direção: Randall Miller

Baseado em fatos reais, o filme retrata a competição internacional de melhor vinho de 1976 – quando surpreendentemente os franceses perderam para os californianos. A história do dia 24 de maio de 1976 – dia em que uma degustação às cegas deu o “épico” prêmio às bebidas da Califórnia – pode ser completamente conferida no longa.
listas_cultura_filmes_vinhos (Foto: Reprodução)













13 - Vicky Cristina Barcelona (EUA, 2008). Direção: Woody Allen
Há quem diga que nesta obra de Woody Allen o vinho poderia ser indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Tão presente, a taça acompanha o trio estrelado por Javier Barden, Scarlet Johanson e Penélope Cruz em quase todas as cenas pela cidade espanhola. Um delicioso filme!
14 - Blood Into Wine (EUA, 2010). Direção: David Roach

O documentário conta a história de um roqueiro que decidiu produzir vinhos no Arizona, interior dos Estados Unidos. No longa, temos a chance de aprender muito mais sobre a atuação dessa região na produção da bebida.
15 - Red Obsession (EUA, 2013). Direção: David Roach

Neste outro documentário, temos a chance de conhecer a história da obsessão chinesa por vinhos franceses, em especial os da região de Bordeaux. Narrado por Russell Crowe, o filme mostra como o país asiático vem se tornando um dos principais polos de aquisição da bebida, considerada fonte de turismo, gastronomia e luxo.
listas_cultura_filmes_vinhos (Foto: Reprodução)

Os diferenciais entre os Profissionais do Vinho

Maravilhoso Mundo do Vinho

Saiba quem são e os diferenciais entre os Profissionais 



Os profissionais do Mundo do Vinho merecem nossa atenção e respeito a cada garrafa que abrimos e provamos. Abaixo a relação e a responsabilidade de cada um:

Viticultor/Agricultor/Agrônomo - Sim, as vezes são três pessoas em apenas uma. É do cuidado no vinhedo que sai a matéria-prima tanto para vinhos bons ou ruins e, é através do cuidado e carinho desses profissionais que depende o trabalho do restante da cadeia produtiva

Enólogo (Eno = Vinho / logo = estudo) - Profissional responsável pelo acompanhamento do plantio da videira até a comercialização dos vinhos dela resultantes (em alguns casos). Esse é o que podemos chamar de "alquimista" pois conhece como poucos seus vinhedos, manuseia com maestria as uvas assim que chegam na vinícola e com delicadeza amadurece o vinho em suas caves ou braços. É ele o responsável por todo e qualquer estilo de elaboração, trabalhos inimagináveis de um "Mago Merlin" para tirar ao máximo o que a natureza oferece e a paixão que está dentro de uma garrafa de vinho.

Sommelier ou Escanção - Profissional que estuda todo o trabalho do Enólogo, bodegas e regiões vinícolas do mundo, além de harmonizações entre os diferentes vinhos e comidas. É ele que possui a responsabilidade de montar cartas de vinhos em restaurantes e indicar o vinho certo para cada ocasião e comida. O Sommelier é por assim dizer, o trabalho e conhecimento delicado de seu próprio paladar e de seus clientes.

Enófilo (Eno = Vinho / filo = amigo) - TODOS os consumidores e apreciadores de vinhos espalhados pelo mundo. É toda e qualquer pessoa que sente prazer em beber e compartilhar uma boa garrafa de vinho.

Enochato (Eno = Vinho / Chato = CHATO MESMO) - Esse é um inimigo do vinho como uma filoxera (praga) na sociedade. São duas possibilidades de descrição para esse "ser": 1º - Acha que sabe alguma coisa sobre vinho porque conheceu algumas vinícolas, bebeu alguns vinhos ou porque é chato mesmo e na verdade só sabe diferenciar vinho branco de tinto quando usa um aplicativo; 2º - Conhece realmente um pouco de vinho mas é tão chato por querer demonstrar seus conhecimentos que chega a ser um porre sem mesmo beber. Sabe aquele amigo que começa a divagar sobre a Merlot e explica até o DNA da uva enquanto você apenas queria saber se ele apreciava ou não essa uva? Pois bem...é esse mesmo o enochato que também espanta os curiosos do mundo do vinho.

Fonte:  http://www.icvinho.com.br/

Jornalista Lúcio mauro nunes pereira MTB-0078741/Sp

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Tintos e seus mistérios



Você acredita em superstição? E em vinho?

Uma bebida que atravessou milênios, como o vinho, tem certamente muita história para contar, de tradições, e também, de superstições.
 Quem tem família italiana já deve ter visto essa: se sem querer você derrubar a garrafa ou a taça de vinho, deve passar um pouco do líquido derramado atrás da orelha, com a ponta do dedo, para trazer boa sorte.
 Romanos antigos acreditavam que derramar vinho era um mau presságio, sinal de que algo de ruim estava para acontecer.
 Em Portugal, por sua vez, acredita-se que somente o fato de derramar vinho sobre a mesa já traz sorte para toda a casa.
 Na Alemanha, mais especificamente no distrito de Varnhalt, cidade de Baden-Baden, as últimas uvas colhidas de cada safra são levadas em carros de boi, para evitar que toda a colheita daquela safra azede.
 Falando em Alemanha, dizem que no país, quando uma pessoa morre, o vinho de sua adega deve ser agitado, o mais rapidamente possível. Por quê? Para não azedar.
 No Egito Antigo, os túmulos dos faraós continham vinho, pois eles levavam a bebida consigo para o que eles acreditavam ser a vida após a morte.
 E, falando em morte, muitos romenos, antes de beberem vinho, entornam uma pequena quantidade no chão, honrando e oferecendo aos amigos que já se foram.
 Na Lituânia, existe a lenda de que na véspera de Natal, exatamente à meia-noite, a água vira vinho e animais falam, se não houver ninguém por perto.
 Alguns pescadores, durante tempestades, costumavam derramar vinho no mar, para acalmar as águas.
 O mar, aliás, divide outras superstições, com o vinho. A mais famosa delas é o batismo de embarcações, ritual realizado com a quebra de uma garrafa de espumante na proa da embarcação. Para ler mais sobre essa tradição, que teve início na Idade Média e se perpetua até hoje, clique aqui.
 Dizem, até, que a máxima “quem pegar o último não casa”, tem sua origem no vinho. Há um provérbio italiano que diz que “una donna non dovrebbe mai avere le ultime gocce di vino dalla bottiglia”, ou seja, uma moça não deve nunca beber as últimas gotas de vinho de uma garrafa. A não ser, é claro, que queira ficar solteira.
Por via das dúvidas, mesmo quem não acredita piamente nessas crenças, às vezes acaba acatando, e seguindo. Sabe por quê? Porque talvez não custe nada prevenir...


Jornalista Lúcio mauro nunes pereira MTB-0078741/Sp
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